Relato de Parto – Isabela 24 de setembro de 2013

Relato de Parto – Isabela – 24 de setembro de 2013
Isabela nasceu no dia 24 de setembro as 00:32, em casa, de parto natural. Estávamos em casa eu, meu marido (Andre Sandes), minha mãe (Mariza) e a equipe Bem Querer (Rosimeire, Eliana e Ana). Foi um momento realmente especial em que pudemos receber a Isabela de forma natural, da mesma forma como ela foi concebida! E nasceu perfeita, no momento certo, madura! ;o)

Mas onde essa história começou?

Bem, ficamos grávidos e pensar no parto não foi inicialmente algo que nos preocupasse. Até que, conversando com uma prima nossa, Rebeca Bricio (http://mulherquepariu.blogspot.com.br/), entendemos o quanto é importante a realização de um parto com amor e respeito. A experiência dela nos abriu os olhos para algo que não sabíamos (processo de parto normal em hospitais) e despertou o interesse para entender mais sobre como tornar esse momento realmente especial.

Então, nossa busca começou! Pesquisamos na internet, conversamos com pessoas que tiveram experiências de parto diversas, conversamos com profissionais, participamos de cursos e palestras sobre o tema e tudo isso junto nos abriu os olhos para um ponto extremamente importante: o parto é um processo FISIOLÓGICO, NATURAL, e que o corpo da mulher está totalmente preparado para realizar esse processo sem qualquer tipo de intervenção externa. Permitindo dessa forma também um processo de nascimento ideal para o bebê, já que é natural. Quando foi que nos esquecemos disso?

Fizemos o pré-natal com uma médica obstetra e numa das consultas veio a pergunta: Como vocês gostariam de fazer o parto de vocês? Ficamos felizes com o tom da pergunta, considerando que havia uma abertura para nossa escolha. E respondemos que gostaríamos de um parto normal. Até aí tudo bem, ela concordou. Mas… o porém… “Só faço parto normal até a 40a. semana, se passar dessa data eu agendo a cesárea”. Nesse momento, ainda estávamos buscando informações e não tínhamos noção do risco de passar da 40ª semana ou como acompanhar isso. Então pesquisamos e vimos que existe risco sim, mas existem formas de acompanhar e entender se há algum perigo real. Numa outra consulta, veio novamente a mesma pergunta, só que agora foi: “Vamos agendar sua cesárea?”. Acho que ela esqueceu que tínhamos dito que queríamos parto normal. Mas desta vez, reforçamos o desejo de parto normal e questionamos por que motivo havia problema em passar da 40ª semana – as respostas que vieram foram meio vagas. Questionei o que poderia ser feito para minimizar o risco, caso passasse, ela disse que eu teria que ir no hospital diariamente para acompanhar os batimentos cardíacos do bebê. Eu concordei e não agendamos cesárea. Afinal, não havia nenhum motivo real para isso naquele momento (37ª semana).

Ao longo do tempo, amadurecendo as idéias, optamos por fazer o parto natural, em casa. E encontramos uma equipe em Joinville que realiza esse trabalho – Grupo Bem Querer.

Marcamos um encontro e iniciamos o acompanhamento (36ª semana). Para começar, já sentimos uma enorme diferença entre o acompanhamento feito pela obstetra (que basicamente olhava exames, fazia as avaliações de rotina, confirmava a data do parto e marcava a próxima consulta) e o feito pelo Grupo Bem Querer que foi muito mais voltado para entender nossas dúvidas, preocupações, esclarecer sobre o plano de parto e os impactos de cada uma das opções que tínhamos e que escolheríamos como procedimento para o momento do parto. Feito o Plano de Parto e esclarecidas nossas necessidades e desejos, estávamos prontos para executá-lo.

As contrações começaram no domingo (22/09), bem espaçadas, e com alguma dorzinha, mas ainda bem suave. Na segunda feira fui trabalhar normalmente, mas as contrações davam sinais de maior proximidade e eram mais fortes – saí logo depois do almoço. As 15hs da tarde, as contrações já estavam de 3 em 3min, como ondas que vão em vem. Tomei um banho quente e foi extremamente relaxante. Meu marido começou a me ajudar com massagens, o que também foi um grande alívio no momento de pico das contrações. As contrações são bem semelhantes a dor de cólica menstrual forte, só que vem e vão. Por volta das 17hs a equipe Bem Querer chegou aqui em casa e começamos a organizar a banheira e demais espaços. As contrações estavam bem fortes e seguidas. Fizemos apenas dois toques vaginais – o primeiro deu 5cm de dilatação já por volta das 20hs. A partir daí, as contrações foram evoluindo e o fato de estar em casa foi fundamental. Poder deitar na minha cama, tomar um banho em um chuveiro conhecido, estar com as roupas que eu queria estar, poder comer na hora em que desejasse e o que eu desejasse fizeram uma enorme diferença para me deixar a vontade. Além disso, a participação e envolvimento de meu marido nesses momentos de forma inteira foi perfeito, me dando segurança, força e coragem.

Por volta das 23/24hs, comecei a sentir uma força no abdômen (chamada de empuxo). Essa sensação foi totalmente inesperada por mim, totalmente nova. Meu corpo trabalhava para que a Isabela nascesse e eu só precisava seguir o ritmo. Confesso que achei que não iria gritar e que ficaria tranquila nessa hora, mas não havia como não vocalizar o que eu estava sentindo. Não era dor (apesar de doer – mas essa palavra não se aplica ao que eu sentia), era algo que me fez sentir poderosa e capaz por perceber que, alí, naquele momento, eu poderia parir minha filha – foi uma sensação de êxtase e prazer ao mesmo tempo. Essa sensação será inesquecível! Nesse momento já estava na banheira de água quente o que ajudou (e muito) a relaxar e meu marido alí, ao meu lado, segurando minha mão. Para o parto utilizei o banquinho e fiquei sentada, o que facilitou o empuxo e a proximidade com meu marido.

Foram alguns minutos mais e a Isabela começou a aparecer. Senti-la saindo aos poucos foi dolorido, mas reconfortante de que a missão estava sendo cumprida. Isabela nasceu perfeita, com pezinhos bem formados e madurinha, como dizem. Recebe-la nos braços assim que ela nasceu e poder coloca-la no peito para mamar foi indescritível, nós duas nos braços do Andre. E o melhor, ela estava no aconchego do peito, no aconchego de casa. Felicidade a mil para nós de que conseguimos fazer esse momento realmente especial e emocionante. Bem vinda, Isabela!

Sobre a recuperação, foi boa, salvo uma laceração que tive em função da saída da Isabela. Sou “meio” ansiosa e nesse ponto fica a dica: respire! Acabei deixando o momento levar e ao invés de relaxar, acabei contraindo o períneo o que gerou essa situação. Mas em nada muda a felicidade do que vivenciamos.

Aproveito para agradecer ao Grupo Bem Querer que contribuiu para que esse momento se realizasse. Vocês três foram ótimas! Fundamentais para garantir nossa segurança, entendimento e alegria. Nossa sincera gratidão! Obrigada!!!!

PS: Após a 37ª semana a obstetra que fazia meu acompanhamento não agendou nenhuma consulta adicional, e como eu estava tranquila com o grupo, não me preocupei em marcar também. No dia 26, data que estava previsto o parto conforme as ecografias, recebi uma ligação dela perguntando por que motivo eu não estava no hospital para realizar a cesárea que estava agendada para as 9hs… Como assim estava agendada e eu nem fui informada? É certo que eu deveria ter comunicado a ela sobre o nascimento da Isabela e nesse ponto sei que cometi uma falha, mas onde foi que não estava claro o meu desejo do parto normal? E como assim agendar uma cesárea em meu nome sem me comunicar? Fico triste em ver o descaso pelo meu interesse de mãe e uma predominância do interesse do médico, mesmo sendo uma lei a opção de escolha da mulher. Uma pena.

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