Relato de Parto de Samara Hank

Meu desejo por um parto humanizado surgiu nos corredores de um hospital, quando eu estava a caminho de uma cesárea agendada com 38 semanas para trazer ao mundo meu primeiro filho, Lucas. Infelizmente, naquela época eu não tive informação para lutar pelo que eu queria, um parto normal, e cai na armadilha das cesáreas agendadas por conveniência médica. Meu obstetra na época me desencorajou ao parto normal de todas as formas que pode mesmo eu não tendo nenhuma indicação. Com 37 semanas saí do consultório com a guia de internação para a cesárea. E assim foi: pai não pode assistir ao parto, tratamento frio da equipe médica, enfermeiras mal preparadas para orientar uma mãe de primeira viajem, hospital lotado, pós operatório dolorido e com muita medicação, dificuldade com a amamentação. Mas graças a Deus, um filho saudável, mesmo que nascido antes da hora. Naquele momento eu ainda não sabia que existia parto humanizado mas tinha certeza que com o próximo filho seria diferente. Um ano e meio depois estava grávida novamente, um novo bebê crescendo em meu útero e no meu coração surgindo o emponderamento para o parto normal, desta vez eu estava decidida, não iria me deixar influenciar por nada nem ninguém, faria o que meu coração mandasse. Jamais voltei no antigo obstetra, cheia de esperança consultei com um novo obstetra, que me disse que PN pós cesárea não era indicado. Naquela altura eu já tinha informação suficiente e fui procurar outro. Tive mais sorte com o segundo, que disse sim, era possível PN após cesárea. Ufa! Mesmo com os dois pés atrás (não confiava mais em nenhum obstetra) fiz todo o pré natal com ele e aos poucos fui percebendo que seria muito difícil conseguir meu PN, sentia que no fim ele teria um motivo (falso) para indicar uma cesárea. Então decidi que teria o bebê com o plantonista da maternidade, porém visitando o hospital vi que não era o que eu esperava e que naquelas condições poderia ser mais um parto traumático.

Pesquisando, encontrei a equipe Bem Querer e marcamos a primeira visita, meu marido ainda não entendia bem o motivo de parir em casa, mas para mim foi ficando claro que só assim eu teria um parto humanizado. Aos poucos, visita após visita, lendo relatos de partos domiciliares, assistindo o Renascimento do Parto, fomos ficando cada vez mais confortáveis com a idéia. Havia um único impasse, meu exame de streptococco havia dado positivo e de acordo com o médico eu deveria receber medicação intravenosa durante todo o trabalho de parto. Vi meu parto domiciliar ameaçado mas não me dei por vencida, fui buscar informação, li, pesquisei, estudei, conversei e descobri que não era bem assim. A equipe me orientou a fazer um tratamento natural com alho, depois de 7 dias tratando, refiz o exame e lá estava o negativo. Foi uma benção, tudo que eu precisava para ir em frente! Sem partilhar com ninguém o nosso desejo, fomos nos preparando, elaboramos um plano de parto, organizamos o que seria necessário para o grande dia. As últimas semanas foram difíceis, o peso da barriga, o calor, o cansaço, ansiedade, estávamos ampliando nossa casa, eu continuava trabalhando com 39 semanas, exausta. Parei de trabalhar com 39 semanas e 6 dias, uma segunda-feira, na noite do dia seguinte comecei a sentir o que eu identifiquei como cólicas e avisei a equipe, pouco tempo depois eu sabia que eram contrações, porem muito irregulares. Passei a quarta-feira descansando na casa da minha mãe, anotando as contrações e trocando mensagens com a equipe, a noite as contrações eram mais fortes e regulares, após um longo banho, às 23h a bolsa rompeu. Uma hora depois a equipe chegou, foi um alivio vê-las ali, alegres, confiantes, cheias de algo que não sei explicar mas que me deixou muito segura e tranqüila, sabendo que eu estava em boas mãos. As contrações já estavam muito doloridas e frequentes, imaginei que o momento já estava próximo, porém o primeiro toque constatou apenas 2 cm, respirei fundo, sabendo que precisaria de muita energia. Meu filho, Lucas, estava dormindo e nem percebeu a movimentação, o marido ajudava com os preparativos, o clima era muito descontraído, quase como se estivessem preparando uma festa! O trabalho de parto parecia se arrastar, nenhuma posição era confortável e eu não tinha força de vontade para andar ou me movimentar, mesmo sabendo que era importante para acelerar a dilatação, era madrugada, eu já havia passado um dia inteiro com contrações, estava cansada e com sono. Com muita insistência da equipe e apoio do marido, topei ir para o chuveiro e ficar na bola, entrei na piscina mas nenhuma posição era confortável na água, era mais tolerável sentada no vaso sanitário ou genupeitoral e foi assim que passei a maior parte do trabalho de parto. O segundo toque constatou 2 para 3 cm, um banho de água fria! Já pela manhã, às 6h pedi pelo terceiro toque, estava 6 para 7 cm, o que me deu força para seguir em frente, o meu Valentin chegaria em breve e eu teria um parto normal pós cesárea, cruzei com muitos incrédulos e queria muito poder dizer: Sim! É possível! Estou aqui para contar a história! Pouco depois meu filho Lucas acordou e pedi para o meu marido levá-lo a casa da avó pois não queria que ele me visse com dor. O sol começou a aparecer cada vez mais forte, eu olhava e pensava que estava cada vez mais perto! Depois deste último toque acho que devo ter entrado no que chamam de Partolândia porque embora eu pudesse ouvir, as palavras não faziam mais sentido, eu estava cada vez mais longe da realidade, mais perto do meu bebê. Estávamos na sala e lembro do momento que prepararam o banco de cócoras já que o vaso sanitário era confortável, aquela poderia ser uma boa opção, meu marido apareceu atrás de mim, sentado em uma cadeira, a cada contração eu me apoiava nele. Em certo momento, percebi que havia musica, as luzes tinham sido apagadas, vi o cantinho preparado para atender o bebê e me dei conta que faltava muito pouco, quanta emoção! Eu não sei quanto tempo durou, mas muitas contrações depois de ter me posicionado, senti a pressão da cabecinha do bebê embora eu não tenha identificado o “circulo de fogo”, após umas duas contrações senti a cabeçinha sair e então o corpinho escorregou, imediatamente a parteira o colocou em meu colo. Momento único! Ali estava ele, tão amado, tão esperado, saudável e perfeito em meu braços, pele com pele! Dali ele não sairia tão cedo… Saí do banco com ele no colo e deitamos no sofá. Tive toda liberdade do mundo pra beijar, cheirar, amamentar, falar, saudá-lo como sempre desejei, sem pressa, com muito amor. Alguns minutos depois vieram algumas contrações para saída da placenta, rápido e tranqüilo. O pai cortou o cordão e vestiu o bebê. A parte chata foi uma laceração mediana, suturada com 4 pontos. Fora isso, o clima era de comemoração, que alegria receber um filho dessa forma! Tão simples, tão humano. Não havia melhor forma, eu recebi meu bebê da melhor forma que existe, no aconchego do nosso lar. Bem vindo ao mundo Valentin!

 

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Relato da Diane

Desde que me descobri grávida, tinha a certeza do parto normal. Passei a gravidez lendo relatos e vídeos sobre partos. Em uma de minhas pesquisas na net, conheci a Eliana, e quis que me acompanhasse no parto como doula.   Conversando com ela, me esclareceu sobre todas as intervenções desnecessárias que são realizadas em maternidades, e assim, veio a proposta do parto domiciliar, que até então pra mim era algo muito distante. Mergulhei em leituras sobre esse tipo de parto, me encantei e resolvi que era isso que eu queria viver. Idealizava muito um parto normal, mas já não bastava que fosse normal, queria que fosse natural, sem intervenção nenhuma, domiciliar, que o pai fosse o primeiro a pegar e que ela viesse direto para meus braços, meu peito…Então, conheci essa equipe maravilhosa de enfermeiras que iriam me acompanhar nesse momento tão especial de nossas vidas. Continue reading

É isso ai!

Adorei esse texto da Ana Cris,ela foi muito clara e concordo com ela não somos menos mãe ou menos mulher por termos tido uma cesárea.

EU FIZ CESÁREA, NÃO SOU MENOS MÃE!
Ana Cris
Você mulher, mãe, que teve uma cesariana (necessária ou não) quando teve seu(s) bebê(s), antes de mais nada queria lembrar que você é uma mãe maravilhosa, competente, amorosa e tão boa quanto qualquer outra mãe boa. A via de parto não nos faz mais ou menos mães, mais ou menos mulheres, mais ou menos seres humanos. Eu tive uma cesariana há 15 anos, um parto normal há 12 anos, e me considero uma mãe boa o suficiente para ambos. E não amo um mais que outro. Continue reading

Mães sozinhas

Somos muitas no mundo, as mães que criamos sozinhas nossos filhos, ou seja, sem conviver com mais ninguém além da criança. A maioria de nós a princípio não desejou esta situação, e frequentemente a assumimos sem saber muito bem como nos arranjaríamos. Pode ser que tenhamos engravidado estando em uma relação ocasional e, mesmo assim, sentimos que por algum motivo misterioso, esse ser tinha sido gerado e estávamos em condições de abrigá-lo, nutri-lo e levar adiante a gravidez e o parto. Ou de repente pode ter acontecido que a gravidez tenha sido planejada dentro de um relacionamento estável, mas o projeto de continuar juntos não seguiu adiante, e portanto assumimos continuar com a gravidez apesar da perda do homem amado, a dor ou o desamparo. Em muitas outras ocasiões, quem sabe sejam as mais frequentes, ocorre uma separação ou um divórcio com os filhos já nascidos. Pode acontecer do pai abandonar definitivamente a cria, por diversos motivos, e as mães não só assumam a criação, mas também a sobrevivência dos filhos, no sentido econômico da questão. A maioria das mulheres, ainda em situação de risco, de falta de dinheiro ou de maturidade emocional, ou mesmo na solidão, permanece com seus filhos. Continue reading